A ideia é que a criptomoeda do Banco Central seja uma extensão do real físico, em que os bancos vão transformar os depósitos em stablecoins.

Para o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, o mundo está caminhando em direção a uma economia “tokenizada”, ou seja, para extrair valor de um ativo de forma digital.

“Vamos sair de um mundo baseado em contas para um mundo baseado em tokens. Estamos falando sobre ativos digitais e o sistema financeiro do futuro”, disse Campos Neto, em evento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) no início do mês.

Criptomoedas do BC

Em uma viagem que fez para Califórnia para pesquisar as transferências com criptomoedas, Campos Neto conversou com gamers para saber o que esperavam deste meio de pagamento. As respostas foram: que fosse seguro, rápido, barato, aberto, transparente e integrado. Segundo Campos Neto, o Pix já cumpre essas funções, mas ele acredita que o sistema de pagamentos não é o fim, mas um meio.

Para ele, é durante a construção da tecnologia que se encontra as respostas, enquanto se percorre o caminho.

A ideia de Campos Neto é que o Banco Central ofereça uma criptomoeda, o real digital, com um sistema programável e custódia integrada, que permita a incorporação de protocolos DeFi (finanças descentralizadas).

O objetivo do presidente do BC é conectar esse sistema em um formato de carteira digital. O esboço que ele apresentou de como imagina essa carteira dos brasileiros, durante o evento da Febraban, é assim:

Como Campos Neto imagina um sistema agregador de serviços financeirosBC pretende montar um sistema que agregue diversas instituições bancárias, Pix, criptomoeda do Brasil e carteira de dados. Foto: Captura de Tela/Febraban

A ideia é que o brasileiro consiga ver sua posição consolidada de crédito em diversas instituições financeiras, realizar Pix ou transações com o real digital. “Vamos para um novo sistema interoperável com depósito tokenizado, monetização de dados. Nossa moeda digital será um depósito tokenizado”, explicou Campos Neto.

A ideia é que a criptomoeda do Banco Central seja uma extensão do real físico, em que os bancos vão transformar os depósitos em stablecoins (moedas atreladas ao real), em tokens, que possam ser convertidos em CBDC (Central Bank Digital Currency) sob demanda.

Chamado de Lift Challenge, o BC instituiu um laboratório para agregar um conjunto de ideias e propostas para formular a criptomoeda brasileira. Entre eles, o banco Itaú e o Mercado Bitcoin tinham sido selecionados para desenvolver projetos.

Uma pessoa familiarizada com as discussões com o BC disse que a greve dos funcionários em julho atrasou o andamento do projeto. Mas, segundo Campos Neto, a ideia é que no próximo ano o Brasil já tenha seus pilotos de moeda digital e em 2024 o real digital deve funcionar.

Pelo cronograma do BC, em setembro começará a execução dos projetos. Eles serão finalizados em fevereiro do próximo ano.

Fonte: Bloomberg Línea

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *